Eleições 2026: ‘Efeito Trump’ pode ajudar Lula a escapar do declínio nas pesquisas

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José Casado

No governo predomina a crença de que Lula deveria erguer as mãos para o céu e agradecer por Donald Trump ter começado a semana preocupado com o Brasil.

Desde a noite de domingo (6/7), ele divulgou duas mensagens em redes sociais.

Numa delas defendeu Jair Bolsonaro: “Ele não é culpado de nada, exceto de ter lutado pelo povo”. E criticou o Supremo Tribunal Federal sem citá-lo: “O único julgamento que deveria estar havendo é o julgamento pelo voto do povo brasileiro. Deixem Bolsonaro em paz.”

Em outro texto renovou ameaças contra governos engajados em iniciativas que ele julga contrárias aos interesses dos Estados Unidos: “A qualquer país que se alinhe às políticas antiamericanas do Brics será cobrada uma tarifa adicional de 10% [aplicada às exportações para os EUA]. Não haverá exceções a esta política.”

No Itamaraty a veemência de Trump chama a atenção, mas é analisada, também, pelo histrionismo embutido.

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Durante a campanha eleitoral, em outubro do ano passado, ele chegou a anunciar aumento de 100% nas tarifas aplicáveis aos países que aderissem à proposta de substituir o dólar no comércio dentro do grupo conhecido como Brics. O surrealismo da proposição o levou a manter a ideia no esquecimento. Até o último domingo, quando retomou a intimidação, agora com ameaça de aumento mais modesto (10%) nas tarifas de comércio.

Anfitrião da reunião de cúpula no Rio, no fim de semana, Lula defende teses como a da substituição do dólar como moeda de reserva global, assim como defende o ideário do fim da pobreza e da fome globais ou da reforma das Nações Unidas, começando pelo Conselho de Segurança.

Lula sabe, tanto quanto Trump, que esse tipo de expectativa é irrealista, ao menos nas circunstâncias atuais de implosão das alianças estabelecidas na IIª Guerra Mundial. O dólar, por exemplo, continua predominante mais da metade dos negócios globais. Os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos, no entanto, estão empenhados na disputa no universo paralelo da política, o das redes sociais.

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O resultado, acham diplomatas, pode até ser funcional para Lula que enfrenta um ciclo de declínio na preferência eleitoral. Ao defender Bolsonaro e acenar com ameaças, Trump pode estar dando uma inesperada e valiosa ajuda ao adversário, eventual candidato petista à reeleição. Citam um par de precedentes desse “efeito Trump”.

Com a repressão aos imigrantes na fronteira sul dos EUA, ele acabou estimulando a união dos mexicanos sob liderança da presidente Claudia Sheinbaum, há meses no topo das pesquisas.

No Canadá, depois de uma década na oposição, os conservadores simpáticos a Trump lideravam todas as pesquisas. Foi quando ele começou a sugerir a anexação do país aos Estados Unidos. Então, o que parecia impossível aconteceu: os eleitores canadenses deram meia-volta e mantiveram os liberais no poder.



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