Matheus Leitão
Enquanto o país fala em ajuste fiscal, o Congresso fala em mais cadeira. A Câmara e o Senado aprovaram, a toque de caixa, o projeto que aumenta de 513 para 531 o número de deputados federais a partir de 2027. E o fizeram com o mínimo de votos necessários.
No Senado, foram 41 votos a favor e 33 contra — exatamente o placar exigido para aprovar uma lei complementar.
O relator, senador Marcelo Castro (MDB-PI), jurou que não haverá aumento de gastos com os novos parlamentares, mas é mentira. Palavra de político em dia de ampliação de poder.
Para evitar constrangimentos maiores, o texto teve uma costura nos bastidores para proibir “no papel” o crescimento das despesas da Câmara — como se gabinete, equipe, cota parlamentar, viagens e fundo eleitoral não se multiplicassem sozinhos.
Foi tudo tão arrumado que até o PT votou a favor, o que ajudou a blindar a proposta de críticas públicas mais ruidosas.
Ao fim do dia, governistas, oposição e centrão sabiam que ninguém perderia espaço. Todos ganhariam algo: mais poder, mais influência, mais emendas.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não deixou dúvidas. Prometeu e entregou a votação mesmo sob protestos. E entregou rápido.
A frase mais honesta veio da oposição. O senador Eduardo Girão (Novo-CE), ao denunciar o absurdo. “Esta matéria vai impactar gerações e mais gerações em custo. Há impacto financeiro”.
E há mesmo. Ainda que o Congresso tenha vendido a ideia de que o Brasil está “sub-representado” em relação a países como Alemanha e França, o que se viu foi um cálculo frio: se cortassem cadeiras de estados super-representados, como manda a Constituição, haveria briga e ranger de dentes. Então criaram novas. Inflaram a máquina.
O projeto agora segue para sanção presidencial. E o brasileiro, esse mesmo que sustenta tudo, que lute.



