Na terça (20), o diretor de ajuda humanitária da ONU disse que 14 mil bebés corriam risco de morrer em Gaza nas próximas 48 horas se a ajuda humanitária, impedida de entrar desde o 2 de março e apenas permitida em parte domingo, não fosse autorizada plenamente por Israel. Em resposta, comentaristas pró-Israel fizeram o que morticidas fazem: questionaram os números dos ossos, não a existência destes, como se houvesse um parâmetro aceitável de bebês mortos.
O erro no dado oferecido pelo representante da ONU – o número na verdade se refere a 14 mil pessoas que as Nações Unidas calculam estar em risco grave de morrer de desnutrição até março de 2026, muitas delas crianças – não exime da responsabilidade as autoridades israelenses, pelo contrário. Crianças palestinas são – em número e em gravidade – as maiores vítimas do atual genocídio perpetuado por Israel; nos últimos 60 dias, 950 delas perderam a vida segundo dados do Unicef, seja pela fome, pelas bombas ou pela falta de acesso a saúde.
Ao invés de fazermos um inventário macabro sobre bebês mortos, devemos admitir que, na diplomacia hoje, só há uma escolha moral: ou pressionar autoridades israelenses pelo fim do morticínio ou aceitar de uma vez por todas que a intenção é a destruição do povo palestino. As ações atuais de Israel não dizem respeito, nem remotamente, ao combate ao Hamas, mas sim à destruição plena de Gaza (palavras do ministro das Finanças israelense no último dia 6, revelando que o intento genocida está nas palavras como nas ações do governo de Netanyahu).
Enquanto na Alemanha manifestantes pró-palestina são reprimidos com violência, Canadá, França e Reino Unido sobem o tom – tardiamente – contra Israel, ao passo que relatórios recentes comprovam que mesmo com as restrições impostas pelo governo inglês a exportação de armamentos a Israel continuou. Já sabemos que a História confirmará que o único nome possível para ações de Israel é genocídio, resta saber quem tem a coragem de dizê-lo hoje.
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