Porto da Pedra divulga enredo onde exaltam prostituição – 03/06/2025 – Carnaval

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Adrielly Souza

São Paulo

A Unidos do Porto da Pedra apresentou na noite desta segunda-feira (3) a sinopse do enredo que levará à Marquês de Sapucaí em 2026. Com o título “Das Mais Antigas do Mundo, o Doce e Amargo Beijo da Noite”, o tema vai tratar da história da prostituição e de como essas figuras foram retratadas ao longo dos séculos —ora com estigmas, ora como símbolos de resistência.

A divulgação ocorreu na quadra da escola, em São Gonçalo, com a presença de compositores, ativistas e integrantes de movimentos sociais.

O carnavalesco Mauro Quintaes, responsável pela criação, afirmou que a proposta é revisitar a trajetória dessas mulheres sob uma ótica crítica, sem cair no romantismo ou em caricaturas. A pesquisa do desfile é assinada por Diego Araújo. “A palavra respeito será o fio condutor para a inspiração de vocês esse ano”, disse Mauro, se dirigindo aos compositores durante o lançamento da sinopse.

Lançado justamente no Dia Internacional da Prostituta, o enredo marca o encerramento de uma trilogia iniciada por Quintaes no fim dos anos 1990, quando a escola levou para a avenida figuras marginalizadas, como pessoas com transtornos mentais e ladrões. Agora, duas décadas depois, o tigre de São Gonçalo retorna a esse território com uma proposta ainda mais provocativa.

“Não estamos fazendo uma ode à prostituição”, diz o texto entregue aos compositores. “Buscamos na história dessas mulheres o doce e o amargo das suas vivências, como foram retratadas pela arte e, por fim, a luta por valorização de quem atua no que popularmente é chamado de ‘vida’.”

Entre as personagens que servirão de inspiração estão nomes como Madame Tussaud e Dona Beja, símbolos de diferentes momentos históricos. A escola promete dar voz às experiências de mulheres que, por séculos, foram empurradas para as bordas da sociedade.

Segundo o comunicado da agremiação, o objetivo é transformar a Porto da Pedra em uma ponte entre a avenida e debates que há tempos são silenciados. A carta enviada aos compositores reforça a intenção de tratar o tema com profundidade e liberdade criativa, desde que respeitada a proposta central. “Buscamos um samba forte, aguerrido, que cada componente e sambista cante com alegria. Confiamos no potencial poético de todos vocês.”



Leia Mais: Folha

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