Astrônomos observam galáxias avançando em direção à outra – 26/05/2025 – Ciência

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Will Dunham

Astrônomos observaram duas galáxias, ambas com tantas estrelas quanto a Via Láctea, avançando uma em direção à outra antes de sua inevitável fusão.

As galáxias, observadas com o uso de dois telescópios baseados no Chile, foram vistas como existiam há cerca de 11,4 bilhões de anos, aproximadamente 2,4 bilhões de anos após o Big Bang, que deu início ao Universo.

No centro de uma das galáxias reside um quasar, um objeto altamente luminoso alimentado por gás e outros materiais que caem em um buraco negro supermassivo. A intensa radiação em todo o espectro eletromagnético liberada pelo quasar é vista perturbando nuvens de gás e poeira, conhecidas como nuvens moleculares, na outra galáxia.

São as nuvens moleculares que dão origem às estrelas. Mas os efeitos da radiação do quasar transformaram as nuvens na região afetada em “apenas minúsculas nuvenzinhas densas que são pequenas demais para formar estrelas”, segundo o astrofísico Sergei Balashev, do Instituto Ioffe em São Petersburgo, Rússia. Ele é coautor principal do estudo publicado na última quarta-feira (21) na revista Nature.

Esta é a primeira vez que tal fenômeno foi observado, de acordo com Balashev.

As estrelas se formam pela lenta contração dessas nuvens sob a gravidade, com pequenos centros tomando forma, que se aquecem e se tornam novas estrelas. Mas a galáxia afetada pela radiação do quasar ficou com menos regiões que poderiam servir como tais berçários estelares, prejudicando sua taxa de formação de estrelas.

A interação entre as duas galáxias lembrou aos pesquisadores uma justa medieval, quando cavaleiros armados com lanças tentavam desmontar o rival.

“Assim como cavaleiros em uma justa avançando um contra o outro, essas galáxias estão se aproximando rapidamente. Uma delas —a hospedeira do quasar— emite um poderoso feixe de radiação que atravessa a galáxia companheira, como uma lança. Essa radiação ‘fere’ seu ‘oponente’ ao perturbar o gás”, disse o astrônomo e coautor principal Pasquier Noterdaeme, do Instituto de Astrofísica de Paris, na França.

Buracos negros supermassivos são encontrados no centro de muitas galáxias, incluindo a Via Láctea. Os pesquisadores estimaram que a massa daquele que serve como motor do quasar estudado nessa pesquisa é cerca de 200 milhões de vezes maior que a do nosso Sol.

A intensa força gravitacional do buraco negro supermassivo atrai gás e outros materiais em sua direção. Conforme entra em alta velocidade, o material se aquece devido à fricção, formando um disco que emite radiação extremamente poderosa em duas direções opostas.

A luz ultravioleta de um desses feixes foi o que causou estragos no gás da galáxia companheira.

Esse buraco negro supermassivo é muito mais massivo do que aquele no centro da Via Láctea, o Sagittarius A*, que tem aproximadamente 4 milhões de vezes a massa do Sol e está localizado a cerca de 26 mil anos-luz da Terra —um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, 9,5 trilhões de km.

Os pesquisadores utilizaram o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (Alma), para caracterizar as duas galáxias e recorreram ao Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, para investigar o quasar e o gás na galáxia companheira.

A configuração das galáxias, vista da perspectiva da Terra, permitiu aos pesquisadores observar a radiação do quasar passando diretamente através da galáxia companheira.

A maioria das fusões galácticas que foram observadas por astrônomos ocorreu mais tarde na história do Universo.

“As galáxias são tipicamente encontradas em grupos, e interações gravitacionais naturalmente levam a fusões ao longo do tempo cósmico”, disse Noterdaeme. “De acordo com o entendimento atual, essas duas galáxias no fim se fundirão em uma única galáxia maior. O quasar desaparecerá à medida que esgotar o combustível disponível.”



Leia Mais: Folha

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