Cecília Olliveira: Por que policiais se tornam milicianos – 07/06/2025 – Ilustríssima

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Eduardo Sombini

O Ilustríssima Conversa desta semana recebe Cecília Olliveira, jornalista especializada em segurança pública e diretora do Fogo Cruzado, instituto que monitora tiroteios e produz dados sobre a violência armada.

Em seu primeiro livro, Olliveira analisa as origens e as transformações das milícias do Rio de Janeiro, desde os esquadrões da morte da ditadura militar. A autora diz que, nas últimas décadas, as milícias ampliaram tanto seu leque de atividades quanto as áreas que dominam, mas não abandonaram a sua essência, as execuções.

Como Nasce um Miliciano” (Bazar do Tempo) defende que essas organizações criminosas inventaram um modelo de negócio muito sofisticado, que pode se expandir para o resto do Brasil, e que as milícias não devem ser entendidas como um poder paralelo. Na verdade, ela diz, estamos diante de parcelas do próprio Estado que agem com o crime e para o crime.

Milícia não é um poder paralelo, é o próprio Estado. São funcionários públicos pagos com o nosso dinheiro. São policiais, servidores de secretarias que atuam para facilitar os negócios da milícia, bombeiros que não fiscalizam empreendimentos. São pedaços do próprio Estado agindo para o crime, com o crime e através do crime. Infelizmente, fica difícil a gente imaginar que o Estado vai se autopunir e vai autoresolver esse problema. Duvido muito que a gente verá isso em curto ou médio prazo, sinceramente

Nesta entrevista, a jornalista fala sobre a responsabilidade do governo estadual na expansão das milícias, a falta de uma política consistente de segurança pública no Rio e a necessidade de uma maior participação do governo federal na área.

Olliveira também discute as razões que levam um policial a se transformar em miliciano. A autora explica as falhas na formação dos oficiais e diz que, hoje, o dinheiro pode importar menos que o desejo de parar de receber ordens e ser humilhado em quartéis para, como parte das milícias, ter status social e afirmar ideais de honra, masculinidade e virilidade.

O Ilustríssima Conversa está disponível nos principais aplicativos, como Apple Podcasts e Spotify. Ouvintes podem assinar gratuitamente o podcast nos aplicativos para receber notificações de novos episódios.

O podcast entrevista, a cada duas semanas, autores de livros de não ficção e intelectuais para discutir suas obras e seus temas de pesquisa.

Já participaram do Ilustríssima Conversa Renato Ortiz, sociólogo que escreveu sobre o universo dos influenciadores digitais, José Eli da Veiga, autor de livro sobre o pensamento econômico no Antropoceno, Juliano Spyer, antropólogo que se dedica ao universo evangélico no Brasil, Arlene Clemesha, historiadora que identifica uma crise no judaísmo devido à guerra em Gaza, Sérgio Costa, pesquisador das desigualdades do Brasil, Lenin Bicudo, para quem a insatisfação com a medicina tradicional impulsiona a crença na homeopatia, Juliana Dal Piva, jornalista que escreveu sobre o assassinato de Rubens Paiva, Marta Góes e Tato Coutinho, autores de biografia do físico Cesar Lattes, Rafael Alves Lima, que discutiu o boom da psicanálise durante a ditadura militar, Ernesto Rodrigues, autor de trilogia sobre a história da Globo, entre outros convidados.

A lista completa de episódios está disponível no índice do podcast.



Leia Mais: Folha

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