EUA: Detido por atos pró-Palestina diz ser preso político – 18/03/2025 – Mundo

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Preso há dez dias por envolvimento em atos pró-Palestina na Universidade Columbia, Mahmoud Khalil, que se formou na instituição, chamou a si mesmo nesta terça-feira (18) de prisioneiro político. Ele é acusado de ser um dos líderes dos protestos, que se espalharam pelos Estados Unidos no ano passado.

A declaração, a primeira desde que ele foi detido, foi feita em uma carta que veio a público. “Minha prisão foi consequência direta do exercício do meu direito à liberdade de expressão, pois defendi uma Palestina livre e o fim do genocídio em Gaza, que foi retomado com força total na noite de segunda”, disse Khalil.

Ele se referia ao rompimento de uma trégua, na segunda-feira (17), com os ataques feitos por forças de Israel ao território palestino. As ações militares ocorreram após emperrar as negociações para as próximas fases do cessar-fogo e para novas trocas de reféns israelenses por prisioneiros palestinos.

A prisão de Khalil, residente permanente nos EUA, foi criticada por vários grupos que atuam com direitos humanos e que descreveram a ação como um ataque à liberdade de expressão e ao devido processo legal. Mais de cem legisladores democratas da Câmara americana questionaram a legalidade da detenção em uma carta enviada ao governo do presidente Donald Trump.

Os advogados do Departamento de Justiça afirmam que Khalil, 30, está sujeito à deportação porque o secretário de Estado, Marco Rubio, determinou que sua presença no país poderia ter “consequências adversas para a política externa”.

Mas o governo não explicou como ele poderia prejudicar a política externa americana. Trump, por sua vez, acusou o ex-estudante de apoiar o Hamas, o que é negado pela equipe jurídica de Khalil.

A prisão ocorreu em 8 de março e motivou protestos em várias cidades dos EUA, inclusive em Nova York, nesta terça (18), quando centenas de pessoas se reuniram na Times Square pedindo sua libertação.

Trump prometeu deportar ativistas pró-palestinos que participaram de protestos em campi universitários americanos contra a guerra de Israel em Gaza. Segundo o republicano, muitos dos manifestantes são antissemitas e apoiam grupos terroristas.

Os campi nos EUA, incluindo o de Columbia, foram abalados por protestos estudantis contra a guerra em Gaza após os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Algumas dessas manifestações geraram acusações de antissemitismo e se tornaram violentas, com ocupações de prédios no campus e confrontos entre estudantes contra e a favor das ações de Israel.

Manifestantes pró-Palestina dizem que suas críticas às ações israelenses em Gaza são erroneamente confundidas com antissemitismo. Na carta que veio a público nesta terça, Khalil disse ainda que sua prisão é um indicativo de “racismo antipalestino”.



Leia Mais: Folha

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