Israel: Oposição quer dissolver Parlamento – 04/06/2025 – Mundo

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Um membro da coalizão de direita de Israel ameaçou nesta quarta-feira (4) deixar a base do governo do primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, e apoiar a dissolução do Parlamento, que deverá ser votada na próxima semana em moção proposta pela oposição.

A movimentação aumenta a pressão sobre Bibi, como o premiê é conhecido. A medida precisa do voto de 61 dos 120 membros do Knesset. Se aprovada, a dissolução implicaria eleições antecipadas.

Pesquisas mais recentes mostram que a coalizão de Netanyahu perderia se o pleito fosse hoje, com muitos eleitores insatisfeitos com a condução do conflito com o grupo terrorista Hamas desde que o país foi atacado em outubro de 2023. Ele é o primeiro-ministro mais longevo de Israel. Somados seus três períodos à frente do país (1996-1999, 2009-2021 e desde 2022), já são 17 anos.

O United Torah Judaism, um dos dois partidos ultraortodoxos da coalizão, disse que votaria pela dissolução caso não conseguisse apoio do governo para aprovar uma medida que dispensa ultraortodoxos do serviço militar.

A sigla de oposição Yesh Atid, liderada pelo ex-primeiro-ministro Yair Lapid, propôs uma votação para a próxima semana para derrubar o governo. “Este Knesset está acabado. Não tem para onde ir”, disse Lapid.

Até o momento, Netanyahu não se manifestou sobre a crise.

No ano passado, o Supremo Tribunal de Israel decidiu que estudantes ultraortodoxos de instituições de ensino tradicionais, até então isentos de obrigações militares, devem se alistar no Exército. A maioria dos israelenses, incluindo as mulheres, é obrigada por lei a servir nas Forças Armadas a partir dos 18 anos.

Um porta-voz do líder do United Torah Judaism, Yitzhak Goldknopf, disse à Reuters que o partido votaria a favor da dissolução a menos que a legislação de isenção seja aprovada.

Com uma semana até a votação, Netanyahu e seus aliados ainda têm tempo para negociar sobre essa questão que tem atormentado a coalizão por meses. Uma pessoa próxima ao governo disse, sob condição de anonimato, que as negociações continuavam.

A coalizão de Netanyahu, formada por partidos de direita e ultraortodoxos, mantém maioria no Parlamento. O United Torah Judaism tem sete assentos, enquanto seu aliado Shas, o outro partido ultraortodoxo, tem 11.

Aposta em blefe

A coalizão está dividida sobre se jovens homens ultraortodoxos que estudam em seminários religiosos devem ser isentos ou não do serviço militar obrigatório.

Vetar a medida significa arriscar uma saída dos legisladores ultraortodoxos da coalizão, enquanto aprová-la poderia desencadear protestos dos outros partidos.

O parlamentar Ohad Tal, do partido Sionismo Religioso, membro da coalizão governista, criticou a atitude de Goldknopf e pediu a renúncia do ultraortodoxo. Ele afirmou que uma isenção total do serviço militar não poderia ser implementada.

O ex-deputado Ofer Shelah disse que Netanyahu provavelmente estava apostando em um blefe dos legisladores ultraortodoxos, já que as pesquisas sugerem que eles enfrentariam uma derrota em qualquer eleição antecipada.

Em março, os ultraortodoxos ameaçaram derrubar o governo pela mesma questão. O tema da isenção de recrutamento tornou-se mais polêmico com o avanço da guerra contra o Hamas e os conflitos cada vez mais intensos de Tel Aviv contra o Hezbollah, na fronteira com o Líbano.

Se Netanyahu se mantiver no cargo, o país voltará às urnas só em 2026. Historicamente, poucos governos israelenses cumprem um mandato completo.

Bibi tem enfrentado críticas por não ter conseguido impedir as ações terroristas do Hamas em outubro de 2023 e está sob pressão de manifestantes e familiares de reféns ainda mantidos em Gaza para encerrar a guerra e garantir a libertação dos israelenses.



Leia Mais: Folha

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