No meio do turbilhão, a brincadeira de Alexandre de Moraes com os ministros do STF

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Laryssa Borges

Alexandre de Moraes reagiu com um chiste quando as investigações da Polícia Federal descobriram que a primeira versão da minuta de golpe de Estado articulada dentro do governo de Jair Bolsonaro previa prendê-lo e levar para atrás das grades também o decano do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes e o então presidente do Senado Rodrigo Pacheco.

Depois que o ex-presidente editou o decreto e, conforme as apurações policiais, deixou apenas Moraes como alvo, o ministro fez a seguinte brincadeira: “o que eles fizeram para sair da lista?”, questionou entre risos.

Longe de ser ameno, o clima no Supremo com os mais recentes desdobramentos da articulação de Bolsonaro e do filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, que resultaram na ameaça de um tarifaço de 50% a exportadores a partir de 1º de agosto, é um misto de estupefação com a audácia do presidente dos Estados Unidos Donald Trump de chantagear um país em troca de benefícios a um aliado e de críticas à dificuldade do governo brasileiro de sair das cordas.

Diante da hecatombe comercial que se avizinha, a decisão do governo americano de revogar os vistos de oito dos 11 magistrados, avaliam integrantes da Corte, foi em proporção um dano colateral muito menor, quase que inofensivo. “Tem horas que é até melhor estar na lista de vistos anulados”, rebateu um ministro do tribunal, também em tom ameno, depois de apenas Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques não terem sido afetados com a restrição de entrada nos Estados Unidos.

Conhecido pelo que já fez o ex-presidente do STF Sepúlveda Pertence classificar o colegiado como “11 ilhas incomunicáveis”, hoje o tribunal está unido, embora uns mais do que outros saibam que estão na mira da Casa Branca e até considerem ser um bônus figurar entre os alvos do trumpismo.

Além de Alexandre de Moraes, que já precificou as prováveis sanções que o governo Trump pode aplicar contra ele com base na chamada Lei Magnistky, o governo Lula mapeou que o presidente Luís Roberto Barroso e o decano Gilmar Mendes também podem entrar no rol de penalizados pela mesma legislação.



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