Menino que teve corpo queimado e perdeu pais em explosão de barco no AC vai passar por nova cirurgia

Menino que teve corpo queimado e perdeu pais em explosão de barco no AC vai passar por nova cirurgia

Após sobreviver a explosão de uma embarcação no ano passado, o menino Paulo Victor da Silva, 5 anos, vem passando ao longo destes últimos meses por uma verdadeira batalha tanto pela sobrevivência, como para se recuperar da sequelas do acidente.

Após um ano, ele recuperou o movimento dos braços e voltou a falar. Mas, ainda precisa de uma nova avaliação para passar por cirurgia.

A tia dele, Elite da Silva, 23 anos, é quem está responsável por Paulo Victor desde que os pais dele morreram na explosão do barco no dia 7 de julho de 2019. O acidente ocorreu no rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre.

O menino teve pelo menos 24% do corpo queimado, tinha perdido a sensibilidade na pele e o movimento das mãos e dos braços, perdeu a voz e teve o pulmão afetado, o que dificulta a respiração e faz com que ele precise de uma traqueostomia para respirar.

Com o tratamento que vem fazendo há quase um ano, ele tem evoluído, mas ainda usa a traqueostomia e esse é o problema que ele enfrenta agora, conforme contou a tia Eliete.

“Ele tinha um retorno, a gente ainda chegou a ir para Rio Branco, mas, devido essa pandemia e tudo parado, tivemos que voltar. Agora, ele teve complicações, sangramento e febre. Como ele passou da época de fazer a cirurgia, ontem [terça-feira, 14], o pessoal do TFD [Tratamento Fora do Domicílio] veio aqui e viu a situação e encaminhou ele pro hospital e lá o médico disse que ele precisa ir para Rio Branco urgente”, contou.

Eliete conta que essa consulta que deve ser feita em Rio Branco é para avaliar se ele já consegue respirar sem a traqueostomia, que pode ser retirada, caso Paulo Victor consiga respirar sem o aparelho.

A tia conta que para fazer a viagem para a capital acreana, o TFD já garantiu as passagens dos dois que devem ir nos próximos dias, porém, ela conta que a dificuldade é para se manter em Rio Branco porque está desempregada e precisa de ajuda financeira. Em Cruzeiro do Sul, amigos fizeram publicações em redes sociais para ajudar a família.

“Como a gente vai viajar e ele deve passar por cirurgia, vamos ficar fora, preciso pagar carro pra me deslocar e a dificuldade que temos é financeira para se manter. As passagens são por conta do TFD”, contou.

Um ano depois de acidente, Paulo Victor se recupera bem de sequelas do acidente — Foto: Arquivo pessoal

Um ano depois de acidente, Paulo Victor se recupera bem de sequelas do acidente — Foto: Arquivo pessoal

Recuperação

Um ano depois do acidente, Paulo Victor coleciona vitórias. O acidente vitimou pelo menos 18 pessoas, sendo seis vítimas fatais. Entre os mortos estavam Valdir Torquato da Silva, de 51 anos, que morreu no dia 27 de junho no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG) e Jucicleide Ferreira da Silva, de 42 anos, que foi a óbito no dia 8 de julho de 2019, eles eram os pais de Paulo Victor.

“Hoje ele anda bem, corre, consegue falar também, coloca o dedo na traqueostomia e consegue falar. A respeito disso ele tem se recuperado bem. O corpo dele ainda tem partes sensíveis, por causa das queimaduras de terceiro grau que teve e na mão ainda utiliza uma tala para deixar firme, mas está bem”, contou Eliete.

O meninos faz fisioterapia e tem acompanhamento médico. Está no momento apenas com a complicação na traqueostomia.

Sobre a perda dos pais, Eliete contou que o menino não comenta o assunto e que leva uma vida tranquila apesar do trauma.

“Em relação a isso ele não toca no assunto. Não fica triste. É um menino alegre que gosta de brincar. Só fica meio triste assim se tiver doente”, pontuou.

Apesar das sequelas que ficaram após o acidente, Paulo Victor está se recuperando. O fisioterapeuta Cândido Neto que já emocionou os internautas ao cantar para uma paciente de 6 anos, foi um dos responsáveis pelo tratamento dele.

Embarcação explodiu em junho de 2019 e vitimou 18 pessoas. Seis delas morreram — Foto: Gledison Albano/Rede Amazônica Acre

Embarcação explodiu em junho de 2019 e vitimou 18 pessoas. Seis delas morreram — Foto: Gledison Albano/Rede Amazônica Acre

Acidente

O acidente ocorreu no dia 7 de junho de 2019, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. O barco explodiu quando era abastecido por um caminhão-pipa com 5 mil litros de gasolina que seriam levados em vasilhas para o município acreano de Marechal Thaumaturgo. Além do combustível, a embarcação também levaria os passageiros e outras cargas.

A explosão deixou 12 pessoas feridas e seis não resistiram o foram a óbito com o passar dos dias, entre eles estavam os pais de Paulo Victor

Embarcação explode durante abastecimento no rio Juruá, Acre

Investigação

Após um ano do acidente, o inquérito ainda não foi concluído. O delegado Lindomar Ventura, que comanda as investigações, disse ao G1 que a pandemia atrasou as oitivas de pessoas que fazem parte do grupo de risco, mas que já está na fase final do inquérito. O delegado não disse uma data provável que deve concluir o relatório e encaminhar para a justiça.

“A gente ouviu mais algumas pessoas, mas em razão da pandemia, alguns são do grupo de risco, então não foram ouvidos. Mas, já estou trabalhando no relatório e devo concluir [o inquérito] nos próximos dias e essas pessoas que por ventura não foram ouvidas vão ficar para o decorrer do processo. Então, a gente está em fase de conclusão”, disse.

O delegado afirmou que pelo menos cinco pessoas não foram ouvidas ainda. O dono barco já foi ouvido, mas Ventura ressaltou que deve ser ouvido novamente e ele vai se deslocar até Marechal Thaumaturgo para que seja ouvido.

Ventura disse ainda que devem ter pessoas indiciadas, mas que não pode adiantar quem, nem por qual tipo de crime.

“Já pontuei isso algumas vezes e vai ter sim indiciamento pelo que consta de elementos até o momento. Acho que a gente está falando da modalidade culposa, mas não tenho como detalhar quem realmente vai ser indiciado e quais os tipos, vamos ter que aguardar finalizar”, acrescentou.

O delegado informou que mais de 40 pessoas já foram ouvidas nas investigações que apuram a explosão do barco.

FONTE: G1ACRE

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